segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Escolhas

Passou a meia noite, as prendas, as gargalhadas e começo a sentir a solidão. Hoje tenho no quarto ao lado o casal que me deu a vida, quem terei no próximo ano? E daqui a dez? Escolhi viver assim, escolhi não ter filhos... sei que ainda tenho tempo, sei que conseguiria um pai decente para os meus filhos, mas tenho dúvidas quanto à mãe que seria. Teria que abdicar de algumas coisas, teria que escolher uma vida dita “normal”, teria que viver os sonhos que sonham por mim e não os meus.
O que é pior, ter um filho para não estar sozinha aos 50, ou não o ter para poder manter o bem mais precioso que possuo aos 30, a liberdade?
Começo a sentir-me uma ave rara, os amigos estão na sua grande maioria casados ou de casamento marcado, alguns já com filhos, alguns até já divorciados... tal é o meu atraso...
“Então quando é que te casas?”
“O namorado ainda é o mesmo?”
“Vens sozinha?”
“Já está na altura de teres um filho não achas?”
“Quando é que eu tenho um sobrinho?”
“A mãe gostava de ter outro neto.”
Mas a pérola é uma frase que ouvi da minha mãe num dia do último verão:
“Gostava de te ver amparada...”
“Mãe... não vamos voltar à mesma conversa pois não?”
“Não era preciso casares...”
Amparada? Será que me vêem como uma inútil? De todos os meus defeitos, e não são poucos, ser uma incapaz não é certamente um deles, não preciso de um homem para me “amparar”, trabalho, pago as minhas contas, tenho a minha casa, não dependo dos meus pais desde os 23 anos, passará pela cabeça de alguém que eu possa um dia querer que um homem me ampare? Só a ideia causa-me calafrios!
Gosto de acreditar que um dia terei ao meu lado alguém que me compreenda, que me conheça verdadeiramente e que ainda assim me ame, que me dê luta, que me faça correr... será isso o amparo a que a minha mãe se refere? Será um companheiro? Como tive medo da resposta não lhe fiz a pergunta...
Conclusão são 3 da manhã e eu estou a tentar convencer-me que as minhas escolhas além de não serem definitivas apontam na direcção correcta, ainda que só eu o veja!
Que patetice esta agora na noite de Natal...

6 comentários:

Esteril disse...

No final do teu texto, acho que resumes bem o que deve ser o teu sentimento perante o que escolhes, quando dizes "(...)eu estou a tentar convencer-me que as minhas escolhas além de não serem definitivas apontam na direcção correcta, ainda que só eu o veja."
E já passei dos trinta também e estou desamparado :)
Sinceramente, sempre pensei em ter uma família e filhos, mas com o tempo e não acertando na cara metade esse sonho foi-se perdendo. Não direi que não volta, porque ver os filhos dos meus primos, é muito engraçado e acho que ía gostar. Mas não o farei nunca de animo leve, só porque chegou a hora de procriar, fa-lo-ei, quando encontrar essa companheira ideial, mas será que existe? Penso que sim, mas continuarei a viver até ela aparecer à minha frente, porque se aparecer essa tal pessoa, nunca perderei nada, nem liberdade, porque ficarei completo, mesmo que cedendo em algumas pequenas coisas para que o ajuste de partilhar seja perfeito. Utópico é pensar que alguém nos aceitará a 100% sem nunca termos de nos adaptar, não é possível não haver um ajuste.
Como tu dizes, estas a escolher as escolhas certas, porque só tu sentes o que sentes e mesmo que um dia tenhas solidão, chegarás e viverás com o teu companheiro quando ele for o tal. Acreditas no amor e já vi que sim, por isso vais ter o teu momento de Amor.
Baci

Marta disse...

Caro esteril,
Começo por lhe dizer que não me sinto desamparada, por vezes estou perdida e sozinha, mas desamparada... ná!!! :)
Concordamos quando diz que ninguém nos aceita a 100%, que temos que nos adaptar. Nunca me iludi pensando o contrário, mas ajustar não é mudar, quando nos apaixonamos por alguém a tendência é achar essa pessoa perfeita, retirado o filtro cor-de-rosa, a pessoa fica real com qualidades e defeitos e isso leva-nos por vezes a tentar mudar o nosso parceiro. É essa mudança que não quero, já cometi o erro de fingir alguém que não existe para agradar e já o fizeram por mim, deu merda nas duas situações. Primeiro porque ninguém pode fingir bem a tempo inteiro e depois porque ainda que o consiga o outro percebe que não foi por aquela pessoa que se apaixonou.
Não vivo obcecada em encontrar a minha “alma gémea”, até porque não acredito no conceito...
Em contrapartida não duvido que terei os meus momentos especiais, como tenho tido ao longo da vida, bem intervalados com momentos de caos... sou de extremos e a felicidade de tocar os céus e a tristeza de descer aos infernos faz de mim quem sou e eu gosto disso!

Menina - Mulher disse...

Ainda não tenho trinta, mas esse tipo de comentário tb faz parte do reportório sempre que vou ao seio familiar...
Eu gostava de ser mãe..todos os dias sinto esse apelo..o problema é que nunca reuni todas as condições para tal...porque para além de ser mãe...quero um pai e um marido a tempo inteiro...que eu ame e que me ame a mim..

jinhos

Marta disse...

Menina-Mulher,
Começo por agradecer a visita... sê bem vinda... volta sempre que quiseres.
Estive a visitar o teu blog mas não consegui comentar, por isso desejo-te aqui um feliz 2007.
Um beijo.

eos disse...

ola! xeguei aki pq a menina mulher me falou do teu blog mas, gostei muito...talvez pq me identifico com cada, cada palavra..um beijo

Marta disse...

Ecos,
Obrigada pela visita :)
Seja bem vinda e vá aparecendo... ou não... como preferir, eu vou gostar de a receber!
bj